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Jornalista da Record relata “jogo sujo” da emissora para beneficiar Bolsonaro

Depoimento foi dado ao The Intercept Brasil

O The Intercept Brasil publicou neste sábado (13) mais denúncia sobre a imparcialidade dos veículos comandados por Edir Macedo.

O site revelou o depoimento de um jornalista contratado pelo R7, portal de notícias da Record TV, em que ele conta que os funcionários estão sendo coagidos a falar bem de Bolsonaro e mal do Haddad e de seus aliados, ou possíveis aliados.

Em um trecho do depoimento, o jornalista afirma:

 

“Após o Edir Macedo ver que o Alckmin não decolaria e declarar via Facebook que apoiaria Bolsonaro, a redação deu uma guinada. Passamos a publicar exclusivamente coisas positivas sobre o candidato do PSL e coisas mornas sobre Haddad, Ciro e Alckmin”.

 

O apoio da Record TV a Bolsonaro não é novidade. Segundo a Folha de S.Paulo, em reportagem publicada no dia 4 de outubro deste ano, a entrevista de Bolsonaro à emissora é uma prova de que a parceria foi selada.

A notícia afirma ainda que, caso Bolsonaro seja eleito, assim como Trump fez nos Estados Unidos com a Fox News, ele terá uma emissora para publicar notícias favoráveis ao seu desgoverno.

A reportagem da Folha de S.Paulo conta ainda que o “namoro” entre Bolsonaro e a Record TV começou em novembro do ano passado, quando a direção do canal, incluindo Douglas Tavolaro, que teve áudio envolvendo pedido de propina com Aécio Neves. Ele também está envolvido em outro caso de corrupção: sua esposa, Raissa Caroline Lima, é funcionária fantasma da Assembleia Legislativa de São Paulo.

É bom lembrar que a emissora foi comprada por Edir Macedo quando o Brasil foi quebrado por Fernando Collor. Em um culto, o bispo, às risadas, debocha de quem se matou depois que teve seu dinheiro confiscado pelo ex-presidente.

 

Edir Macedo e Bolsonaro não estão preocupados com o povo. E, como bem disse Haddad em entrevista nesta sexta-feira (12):

 

“Sabe o que é o Bolsonaro? Ele é o casamento do neoliberalismo desalmado, representado pelo Paulo Guedes, […] com o fundamentalismo charlatão do Edir Macedo. Isso é o Bolsonaro”.

 

 

Leia o depoimento do jornalista, que, por questão de segurança, não teve seu nome exibido:

“Desde meados de agosto, toda matéria que chega de agência (Reuters, Estado, Folha, EFE, AP…), ou que pretendemos escrever, precisa antes de uma autorização verbal de quem está comandando a redação. A gente chega e pergunta: ‘posso subir matéria tal da agência tal?’.

Três semanas antes de começar o primeiro turno a gente foi ‘liberado’ para subir conteúdos dos candidatos, contanto que não fosse negativo ao Alckmin.

Após o Edir Macedo ver que o Alckmin não decolaria e declarar via Facebook que apoiaria Bolsonaro, a redação deu uma guinada. Passamos a publicar exclusivamente coisas positivas sobre o candidato do PSL e coisas mornas sobre Haddad, Ciro e Alckmin.

Passado o primeiro turno, começou o jogo sujo. Nada de pauta negativa ao Bolsonaro, a não ser que seja um assunto de grande visibilidade. A gente pode subir pautas positivas do Haddad, mas geralmente elas não são chamadas na capa nem nas redes sociais. Ou seja: ninguém vê.

E agora começaram a aparecer encomendas. O primeiro alvo foi Ciro Gomes. Um excelente repórter foi obrigado a escrever coisas ridiculamente negativas e velhas sobre o ex-candidato do PDT, acredito eu que para tentar denegri-lo caso ele decidisse apoiar o Haddad firmemente.

Houve brigas na Redação porque, teoricamente, deveríamos assinar essas matérias, mas ninguém aceita expor seu nome a esse trabalho sujo. Pode notar que a maioria delas não tem assinatura.

O clima ficou pesado, todos estão decepcionados de fazer esse jornalismo marrom. Um dos melhores e mais resilientes repórteres de lá agora bate boca diariamente com a chefia.

A gente se sente refém das demandas do alto comando. Recebemos ordens pra fazer um antisserviço à população e nem sequer sabemos quem deu essas ordens lá em cima. Considerando a boa audiência do portal, especialmente entre as classes C e D, dá um aperto no coração saber que a gente pode influenciar negativamente estas eleições”.

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