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A educação mudou minha vida: “Ser educadora também é um processo que envolve não apenas nossas ações pessoais”

Relato da HIstoriadora Pamela Peres Cabreira, beneficiária do Reuni e do financiamento do Capes

Elencamos algumas histórias de vidas que foram transformadas pela educação no período em que Haddad era o ministro da Educação, beneficiadas por programas como Prouni, ReuniFies sem Fiador, PronatecCaminho da Escola, por institutos federaisnovos campi e universidades, pela reformulação do Enem e muito mais.

 

Minha educação foi toda em escola pública, iniciada nos anos 1990, na periferia da cidade de Campinas, no interior de São Paulo. Já no Ensino Médio, me digladiava entre a escola (E. E. Culto à Ciência), o ensino técnico profissionalizante em Bioquímica, na Escola Técnica Estadual Conselheiro Antônio Prado (Etecap), o estágio e a militância no movimento estudantil.

Educação não é um estado, é uma construção, é ser educado.

E ser educado equivale a gerir nossas engrenagens a todo instante, buscando compreender o mundo que nos rodeia, romper com preconceitos e aludirmos a uma sociedade mais justa, mais igualitária e com direitos garantidos. Ser educado é perceber as diferenças, trançar e problematizar estereótipos, discursos, pessoas.

Ser educado é um processo.

Com a criação do Reuni e a possibilidade mais ao alcance das mãos de frequentar um curso superior, decidi abraçar minhas convicções e entrei para o curso de Licenciatura em História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, graduação essa que foi permeada por projetos e incentivos do Ministério da Educação, quando fui bolsista do Programa de Educação Tutorial (PET), de incentivo à pesquisa, por quatro anos, possibilitando minha permanência na Universidade, bem como alojamento e restaurante universitário.

Com a experiência como professora, mais uma vez fui colocada diante do desafio do que era não mais ser uma pessoa educada, mas educar.

Fechei o ciclo sobre o que sou e no que acredito, buscando trazer para os alunos e alunas diferentes visões, problemas dos nossos dias, remontar uma história que não ficasse assim tão distante de suas próprias realidades.

Ser educadora também é um processo que envolve não apenas nossas ações pessoais, mas uma sociedade democrática, com liberdade de expressão, com direitos e valorização dos professores e professoras, algo que neste momento está amplamente ameaçado.

Fiz mestrado em História Social e Política com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes); alcancei uma bolsa de doutoramento pleno no exterior pela mesma agência, que curso em Portugal, com insegurança, neste momento de instabilidade política no Brasil.

Ser educada, educar, educação… O que seria de nós sem a nossa história? A tentativa da extrema-direita neste momento é a de apagar nosso passado, nossas experiências, recriar uma sociedade autoritária.

Educação, para mim, neste momento, é ter sabedoria para analisar contexto, moral e ética. É sermos, finalmente, educados e educadas.

Pamela Peres Cabreira
Doutoranda bolsista Pleno-Capes, Universidade Nova de Lisboa.

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