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Deu na Folha: Haddad e Manuela trazem esperança de retomada democrática

"Um novo momento na política do país"

Após a Carta ao Povo Brasileiro, escrita por Lula para comunicar ao país que, com o impedimento injusto de sua candidatura, Fernando Haddad e Manuela D’Ávila são seus escolhidos para concorrer à presidência nestas eleições, saiu na Folha de S.Paulo um artigo apontando por que a dupla é a esperança de um novo momento político para o país.

Leia na íntegra:

Juntos, Haddad e Manuela trazem esperança de retomada democrática

Chapa do PT à Presidência da República marca um novo momento político no país

O anúncio da chapa formada por Fernando Haddad e Manuela D’Ávila traz esperança em um dos momentos mais dramáticos de nossa história recente. Além de contrariar os interesses da maioria da população brasileira, a exclusão do ex-presidente Lula das eleições feriu os princípios democráticos, como atestam inúmeras manifestações internacionais.

Estamos longe daquele primeiro de janeiro de 2003 em que Lula recebeu de Fernando Henrique a faixa presidencial. O gesto simbolizava o que parecia ser a chegada da democracia brasileira à maioridade. A parlamentada de 2016 derrubou um governo contestável na gestão econômica, mas cuja presidenta não havia cometido crime de responsabilidade. Ao desafiar a soberania popular, a direita brincou com fogo.

Prometeu combater a corrupção e trazer de volta o crescimento, e entregou o governo mais impopular da história, enquanto o país assiste estupefato ao fortalecimento de líderes e movimentos de extrema-direita e a dramáticos episódios de violência política. Só a legitimidade incontestável das urnas permitirá restabelecer a autoridade do poder executivo e o equilíbrio institucional.

Responsável pela formulação do programa do PT para estas eleições, Haddad tem toda competência para assumir o desafio de disputar nas urnas o mandato popular cassado em 2016. Suas passagens pelo Governo Federal e pela Prefeitura de São Paulo deixaram claro seu estilo de governar: prudente e responsável na gestão, aberto à inovação qualificada nas políticas públicas; defensor do papel do Estado na transformação social, comprometido com a redução das desigualdades e com a participação democrática de todas as forças da sociedade.

Como ministro da Educação, promoveu amplo debate público com instituições fundamentais no campo e imprimiu uma visão sistêmica, formalizada no Plano de Desenvolvimento da Educação. Articulador hábil, obteve grandes vitórias no Congresso Nacional, permitindo a implementação de políticas como o ProInfância —que viabilizou a construção de creches em todo o país— e o Reuni —responsável pela expansão da rede de universidades e institutos federais—, que transformaram profundamente a sociedade.

A candidata à vice é uma líder brilhante, que, como ele, reúne duas características fundamentais para estas eleições, como defendemos em artigo do movimento cívico “Eu voto no Haddad, me pergunte por quê” publicado nesta Folha em fevereiro: têm experiência e simboliza renovação. Além de deputada estadual, foi deputada federal por dois mandatos e líder de seu partido na Câmara. Nos últimos meses, mostrou ter potencial para reinventar a função de vice-presidente, desvirtuada pela atuação de Temer.

A entrada em cena de Haddad e Manuela também marca um novo momento político no país. Pela sua trajetória e pelo seu perfil, Haddad tem a transversalidade necessária para reunir o cada vez mais pulverizado campo progressista em torno de uma aliança nos moldes da “geringonça”, o governo que reafirmou o pacto republicano em Portugal.

A chapa aponta para o futuro, e com ela temos nova chance de recolocar o Brasil na linha da frente das potências emergentes democráticas num mundo cada vez mais imprevisível.

Assinam esse texto: Luis Rheingantz, Pérola Mathias e Ricardo Teperman; representantes do movimento cívico “Eu voto no Haddad, me pergunte por quê”.

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